Sei que o brega não é privilégio nosso, mas não sei que termo usam em outras terras. Fiz um estágio no atelier de Ana Livni e Fernando Escuder, dois estilistas uruguaios de slow fashion. Eles queriam trabalhar com crochê e deixaram as pesquisas nessa área por minha conta. Chegando lá, eu não sabia mais que um portuñol mal falado e me recusava ao máximo em falar português pela proximidade das línguas, queria aprender. Mostrando trabalhos de free form crochet a Fernando, eu tentava explicar que teríamos que ter cuidado com as cores e texturas para que não ficasse brega. Eu dizia: – No sé una palabra para brega. És algo casi kitsch pero más fuerte.- as palavras não saiam… e ele disse: – Ah si! Me gusta el brega!
Todas as cores e misturas descuidadas, a “falta de bom gosto”, o mal gosto. A poluição visual que vemos na maioria das ruas de grandes e pequenos centros.
O brega brasileiro é estilo, é expressão popular no mais alto nível. É nosso kitsch com carinho. Não está em tudo nem em todos, mas que já carregou o brega em si, não tem como fugir.


